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Retorno à Juventude

por Carlos Takanori, 1978,


Esta segunda experiência que vou relatar segue a linha de trabalho de Bianca que trata da recuperação do aspecto fisionômico de uma pessoa que já não possui matéria e está no plano extrafísico. Conheci a senhora Basilides Tagliari há alguns anos em função de minha atividade profissional como contabilista de diversas empresas. Estávamos constantemente nos encontrando para conversar a respeito de minhas saídas fora do corpo físico e ala tinha verdadeira curiosidade em saber como as coisas ocorriam. Dona Lide, como ela era chamada, contou-me que parte de sua vida fora dedicada a um convento, para o qual foi levada pelos pais na adolescência. Lá permaneceu durante trinta anos em busca do conhecimento e de convicções religiosas. Ela me disse que aqueles anos não foram fáceis, pois, depois de tanto tempo, já na vida civil, não tinha absoluta certeza de ter conseguido o objetivo que tanto buscava. Eu, de certa forma, percebia que ela sentia muita frustração por haver dedicado tanto tempo à busca daqueles objetivos, pois ela me dizia que a base de tudo era somente a fé e que, talvez, para ter essa fé não precisasse ter despendido tanto tempo de sua vida. Sempre conversávamos a esse respeito. Algumas vezes percebia o quanto ela sentia magoada com isso e chorava discretamente. Mas a sua fé era muito significativa e consolidada. Certa vez, ela me contou que, numa viagem pela Europa, o navio que a transportava naufragou, e, num desespero muito grande, conseguiu sobreviver, sempre com o pensamento voltado para Deus. Esse fato foi muito marcante, pois ela se sentiu verdadeiramente socorrida por Deus e pela fé Nele.

 

Algum tempo depois, senti sua falta. Não era muito comum uma ausência muito prolongada sem um contato. Soube que repentinamente Dona Lide havia falecido havia um mês. Naquele momento pensei com que sentimento e como ela estaria agora no plano extrafísico com tudo que havia em sua mente, já que somos movidos sem obstáculos, naquele plano, pelos nossos próprios desejos, medos e convicções. Fiquei bastante ansioso para encontrá-la e esse era um objetivo imediato.

 

Levei algum tempo me esforçando e depois de um mês, aproximadamente, consegui uma saída consciente. Eu, naquele momento, estava entusiasmado com a chance de ir até ela e, assim, fui ao encontro de Dona Lide. Fui acompanhado por uma pessoa que me levou até ela. Quando cheguei eu a vi serena, sentada em uma mesa. Aproximei-me e perguntei se ela estava bem, pois eu já estava sabendo o que havia acontecido. Ela me respondeu que sim, que “agora” estava bem. Acredito que, naquele momento, não havia realmente necessidade de perguntar nada a ela, pois a sua tranqüilidade e a serenidade em seu rosto já diziam tudo. Eu não sabia como me expressar, se com alegria, por tê-la encontrado, se com tristeza, por saber que ela tinha perdido a matéria. Ela percebeu isso logo. Rapidamente ela se pôs a justificar “porque agora estou bem”. Ela me pediu que a observasse atentamente em seu rosto. Fiquei observando aquele olhar e a fisionomia que eu conhecia bem, mas de repente, a sua expressão começou a se desfigurar em movimento contínuo. A expressão de seu rosto foi se modificando e se definindo muito rapidamente. Finalmente eu estava diante de um rosto quase adolescente, com os cabelos mais longos do que os que eu conhecia. Havia nele uma expressão de jovialidade irreverente, pois os cabelos estavam despenteados, mas tinham uma incrível beleza natural. Olhei bem e observei atentamente aquela transformação. Ela me disse: “De agora em diante, quando você me encontrar, me verá com a imagem que eu tenho agora”. E ela estava muito feliz ao dizer isso. Eu também senti aquela felicidade e voltei para a matéria com a satisfação de saber que ela estava vivendo intensamente, a partir de então, os momentos de sua juventude, e que tinha conseguido recuperar aquilo que o tempo lhe havia roubado sem que tivesse percebido.